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Guia

Como escolher o jogo de tabuleiro certo para a sua mesa

A noite trava sempre no mesmo ponto: todo mundo na mesa e ninguém decide o que jogar. A escolha errada estraga o clima — um jogo longo demais cansa, um simples demais entedia. A boa notícia é que dá pra acertar com três perguntas. Esqueça o jogo "melhor" e procure o jogo certo pra aquele momento.

1. Quantas pessoas vão jogar?

É a pergunta que mais elimina opções. Todo jogo tem uma faixa de jogadores, e quase todo jogo tem um número em que funciona melhor. Um título ótimo pra duas pessoas costuma ser fraco com seis, e vice-versa.

2. Quanto tempo vocês têm?

Honestidade ajuda. Se a turma tem uma hora, um jogo de duas horas vai ser interrompido pela metade e ninguém volta com vontade. Toda caixa traz uma estimativa de duração — use como guia, lembrando que a primeira partida sempre demora mais, porque inclui ensinar as regras.

3. O grupo quer competir ou colaborar?

Essa pergunta decide o clima da mesa mais do que qualquer regra. Há grupos que adoram a disputa e há grupos em que a competição azeda a noite. Para os segundos, jogos cooperativos são uma descoberta: todos jogam contra o próprio jogo, ganham ou perdem juntos, e a conversa muda completamente de tom.

O peso do jogo é o detalhe que falta

Além desses três pontos, existe um quarto, mais técnico: a complexidade, que a comunidade chama de "peso". É o quanto de regra e de decisão o jogo exige. A maior base de dados do hobby, o BoardGameGeek, registra esse peso numa escala de 1 a 5 com base em milhares de votos de jogadores. Não é ciência exata, mas é um ótimo termômetro: um jogo peso 1,5 você ensina em cinco minutos; um peso 4 pede uma tarde dedicada.

Regra de bolso: combine grupos novos com jogos de peso baixo. Deixe os títulos pesados pra mesa que já está aquecida e quer um desafio.

O atalho de quem trabalha com isso

No Beruiks, a gente faz exatamente essas perguntas antes de tirar uma caixa da estante. Em geral, três respostas — número de pessoas, tempo e gosto pela competição — bastam pra indicar dois ou três títulos certeiros. Se errarmos, troca-se o jogo sem custo: a entrada dá acesso à estante inteira.

E se ainda assim ninguém decidir?

Deixe uma pessoa escolher, sem votação. Votação de mesa cheia quase nunca conclui, e o jogo perfeito que ninguém jogou é pior do que o jogo bom que começou. Na próxima rodada, outra pessoa escolhe. Funciona melhor do que parece.

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Fontes e referências

  1. BoardGameGeek — base de dados colaborativa com fichas, faixa de jogadores, duração e índice de complexidade (peso) dos jogos. boardgamegeek.com
  2. Estrada-Plana V, et al. Cognitive training with modern board and card games in healthy older adults: two randomized controlled trials. International Journal of Geriatric Psychiatry. 2021;36(6):839–850. doi.org/10.1002/gps.5484